segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ensinar a pescar é melhor do que dar o peixe

Li hoje, no Correio do Estado, matéria sobre o projeto de lei que pretende mudar os critérios do rateio do ICMS entre as prefeituras dos 78 municípios do estado. O embate entre forças ligadas aos pequenos municípios que não conseguem arcar com suas despesas e aquelas ligadas aos municípios detentores de maiores receitas continua num impasse.

Sendo aprovado, o projeto garantiria um fôlego adicional a municípios como Rio Negro, cuja folha de pagamento está beirando o quinto mês de atraso. Os recursos viriam dos municípios com maior arrecação para auxiliar os mais necessitados, por isso o projeto recebeu de seus opositores, o apelido de "Lei Robin Hood".

Os defensores do projeto dizem que a queda na arrecação da maior parte dos municípios a serem sacrificados será ínfima e aqueles que tiverem queda significativa poderão receber compensações.

Não sei se este deve ser o foco da discussão. Ninguém se pergunta sobre as razão da saúde financeira destes municípios? Será que o orçamento não está sendo mal administrado? Será que não há prefeitos dando "passo maior que a perna"? Será que não há casos de mau uso de dinheiro público?

Não acho justo sacrificar os municípios com maior arrecadação para que eles sustentem os munícipios retardatários. A medida é apenas paliativa. Caso entre em vigor, resolverá o problema por um tempo, mas não tardará o dia em que teremos que novamente mudar os critérios de distribuição do bolo, porque novamente as prefeituras de cidades menores não conseguiram arcar com suas despesas.

Este sistema de dependência cria um círculo vicioso e não ataca a raiz do problema. Uma solução definitiva passa não só por um estímulo a economia destes municípios de forma que possam gerar mais riqueza e consequentemente obter mais receita, mas também pela redução de gastos.

Porque não modificar o rateio de forma a criar um fundo cujo dinheiro seria utilizado para premiar as prefeituras que estivessem se empenhando em adotar práticas de boa gestão de seus recursos? Tanto cortando despesas desnecessárias quanto buscando ampliar receitas buscando novas vocações econômicas para seus municípios?

Ao condicionar a ajuda financeira à adoção de boas práticas no uso do dinheiro público, estaremos fazendo muito mais pela população destes municípios do que simplesmente tirando recursos de uns para dar aos outros.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

7 de Setembro - Fora Sarney

Eu fui e gostei de ter participado. Não tinha muita gente, mas o importante é que todos os que foram DEMONSTRARAM sua indignação de forma legítima. Não houve baderna, respeitamos o desfile, todos foram ordeiros e conseguimos passar nosso recado.

SOU REALISTA e não acho q pelo simples fato de distribuirmos panfletos e segurarmos bandeiras numa data histórica iremos mudar o Brasil, mas sei que esta uma das muitas forma de tentar melhoras as coisas.

Protestar é apenas uma das frentes de luta contra os maus políticos. Como muitos não se cansam de dizer, devemos escolher bem nossos representantes e cobrar resultados deles.

Nada disso funciona ou funciona muito pouco? Bom, mesmo assim prefiro fazer e ver se dá resultado do que não fazer nada e ter certeza de que não haverá resultado.

Tem um trecho do perfil no orkut do ex-Deputado Federal Waldir Neves (independente do que você pense dele) que cabe muito bem neste momento:

"...acredito que a participação polìtica consciente é o único meio que temos para mudar uma sociedade, pois não basta criticar. É preciso participar. Se você não participa, alguém que você não deseja decidirá em seu nome. A omissão é um dos maiores equìvocos do cidadão."

Uma outra coisa. Acho que temos que romper com 2 paradigmas:

1º - Não devemos desestimular pessoas de bem a serem políticas dizendo que vão ficar iguais aos outros políticos. Temos sim é que estimular a renovação com gente que queira fazer algo de bom para a sociedade e não apenas para si próprios.

2º - Ouvi muita gente se apressando a achar que tinha político envolvido com a manifestação. NÃO TINHA, mas e se tivesse, qual seria o problema disso? Não é exatamente TRABALHO que queremos dos políticos?

Agora... criticar político que rouba é uma coisa, mas criticar político que estimula o povo a manifestar insatisfação com aquilo que está errado na política? Pelo amor de Deus, pessoal!

Temos tanta ojeriza em PARECER massa de manobra dos outros que acabamos SENDO massa de manobra em questões mais importantes sem perceber, justamente por esse tipo de postura. Pense nisso.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Eu também leio Veja

Volta e meia, tanto na blogosfera como nas redes sociais, acompanho discussões acaloradas sobre a revista. Críticas variadas de diversas vertentes, sendo as mais contundentes dos simpatizantes de esquerda. Acusam a revista de estar a soldo de interesses excusos e dizem que por isso não deve ser levada a sério. Vivêssemos nos Estados Unidos, diriam que Veja é "antipatriótica" e "antiamericana".

Muito embora não seja minha única fonte de informações, eu leio sim e gosto muito da revista. Ninguém precisa concordar comigo e nem ler a revista, agora vamos só parar pra pensar um minuto: A Veja tem muitos anunciantes privados (não depende de mesada estatal como várias outras por aí que você vê forradas praticamente só com anúncios do Governo) e detém a maior tiragem e volume de vendas (se não bastasse isso boa parte são assinantes).

Teoricamente, ela parece ser um dos veículos de comunicação menos dependentes de dinheiro público. A lógica simples diz que pode fazer críticas duras a qualquer governo sem medo de represálias financeiras porque não depende dos anúncios oficiais pra sobreviver.

Muitos dos que não gostam da Veja o fazem pelos motivos errados. A revista segue uma linha liberal e eu sou socialista então ela não serve pq não comunga dos meus ideais? Tudo que ela escrever tá errado até prova em contrário? Temos que filtrar as coisas, pessoal.

Quer dizer que se o "Jornal do Esporte" diz que o meu time levou uma goleada de 4x0, então eu vou recusar o periódico e ficar com o "Diário do Esporte que diz que meu time perdeu heroicamente por 4x0? Nada mudará o fato de que perdemos de 4x0.

Se nem de nossos pais dá pra aproveitar todos os conselhos que nos dão, então porque é que de um bando de estranhos dos mais variados tipos trancados numa redação daria pra aproveitar tudo?

Fernando Dias (que não verdade eu não faço idéia de quem seja) escreveu o excelente texto que transcrevo abaixo:

E olhem que você parecem que não lêem também a Carta Maior, onde fica a parte mais ideológica dos escritos neo-socialistas.

Eu só não entendo o problema que alguns tem em aceitar que certos meios de impressa são panfletários. A Carta (ambas) é, como também o são Veja e Istoé, dentre outras. É assim em todo canto, aqui também. Não existe isso de texto sem ideologia.

O leitor deve ter discernimento para entender o que está lendo. É para isto que servem as horas e horas de leitura sobre coisas que ele aparentemente achava que não servia para nada no ensino médio e a graduação.

Agora, se você parte do princípio que é todo mundo ignorante e que precisa ser tutelado pelo Estado, então faz sentido defender o fim da impressa marrom, porque senão os coitadinhos irão decidir errado. O problema é que o marrom muda de cor ao sabor da onda que está no poder.

Em outras palavras, se você lê Carta Capital e acha que é tudo verdade, então você está precisando estudar mais para desenvolver senso crítico. Monte uma turma com as pessoas leram Veja e também acharam que é tudo verdade e comecem a ler sociologia, ciência política, economia, direito e tudo mais que aparecer pela frente. Na hora que tudo que você comece a parecer duvidoso então está fazendo efeito.




Preciso dizer mais?


Ah sim... a fonte do texto: http://acertodecontas.blog.br/politica/carta-capital-disponibiliza-dezenas-de-materias-sobra-daniel-dantas/